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23 de ago. de 2018

BARRY - PRIMEIRA TEMPORADA (CRÍTICA)



Várias comédias já passaram pela TV. Algumas cumprem seus papéis com tanto êxito que duram bastante tempo e se tornam ícones de décadas e gerações, como é o caso de Seinfeld e Friends, e outras acabam esquecidas ou mesmo canceladas. Atualmente, vemos séries de comédia incríveis e com uma linguagem totalmente moderna discutindo temas atuais, como a maravilhosa “Brooklyn Nine Nine” ou mesmo “Atlanta”, que utiliza seu humor para tratar de assuntos de determinado peso social.

Barry se trata de uma série comédia, sim. Mas nada a impede de pesar bastante na profundidade e drama, principalmente do personagem título. Trata-se de um homem que não teve muitas escolhas em sua vida e acabou tornando-se um assassino de aluguel por falta de opções e por muita insistência de um amigo da família. Durante um serviço realizado para a máfia chechena, Barry se depara com aquilo que ele julga ser seu verdadeiro propósito. Tornar-se um ator de teatro!

A HBO traz aqui mais um acerto em oito episódios de trinta minutos cada, e muito desse acerto se dá por um único nome: Bill Hader.
Conhecido de qualquer um que já tenha assistido ao “Saturday Night Live” ou ao filme “Superbad”, de Evan Goldberg e Seth Rogen, Bill Hader aparece aqui como Showrunner, produtor, diretor e ator principal, e é possível ver muitos traços de sua comédia em sátiras feitas a Hollywood e piadas periféricas inteligentes.


A série conta com uma comédia menos escrachada do que de qualquer sit-com que vemos por aí, não apostando em situações completamente inusitadas, mas sim em piadas brilhantemente encaixadas no roteiro, atores e personagens carismáticos e um timing de comédia muito bem fluido. Barry utiliza uma fórmula de programas excelentes como “Monty Python”, mas com uma pequena subversão que faz toda a diferença. Enquanto a série britânica produzia esquetes onde víamos um sujeito comum adentrando um ambiente onde todos eram completamente malucos, aqui vemos um estranho, adentrando um ambiente também estranho.

O roteiro é a chave para a dinâmica da temporada, acertando em cheio em seus momentos cômicos e dramáticos e criando pontes entre pequenos detalhes que vemos no início da série e a importância deles para o desenvolvimento narrativo.

O elenco é um show à parte, começando com o retorno de Henry Winkler às telinhas no papel de Gene Cousineau, o egocêntrico professor de teatro de Barry que é responsável por muitos diálogos engraçados. Sarah Goldberg carrega parte do peso dramático da série, sem perder carisma e o viés cômico de sua personagem. Anthony Carrigan tem a maior liberdade para fazer caras e bocas com seu excêntrico NoHo Hank. E por fim, Bill Hader nos entrega uma performance que equilibra perfeitamente uma comédia mais contida com explosões emocionais dramáticas. Como fã de Stephen King, não vejo escolha melhor para interpretar Richie Tozier na continuação de It (2017).


Barry foi uma grata surpresa que nos demonstra o quanto a HBO acerta em seus projetos, com um elenco carismático, uma comédia afiada e um bom equilíbrio dramático, a série nos mostra que mereceu suas indicações ao Emmy 2018. Podem assistir, diversão garantida.

Diga-se de passagem, o final da temporada é incrível!



Por: Rennan Gardini

12 de ago. de 2018

TOP 10 - SÉRIES DA HBO



De tempos em tempos, a televisão prova que algumas de suas produções podem superar muito do que é feito no cinema. Uma emissora que se destaca muito das outras quanto à qualidade de seu conteúdo é a HBO, com suas produções adultas de episódios longos, recheados com violência, sexo e abordando temas pesados.
Enquanto esperamos a última temporada de Game of Thrones, nós do Viagens Literárias resolvemos separar uma lista de excelentes produções para conhecer o conteúdo fantástico da HBO neste Top 10:



10 – The Night Of (2017): Após uma noite de farra regada a drogas e sexo, Nasir (Riz Ahmed) é acusado de assassinar Andrea (Sofia Black D’Elia) e tem como seu defensor um advogado de porta-de-cadeia chamado Jack Stone (John Turturro).
Por se tratar de uma minissérie, esta adaptação do seriado britânico Criminal Minds se mostrou um suspense bem imersivo, perfeito para ser acompanhado regularmente, apesar de sua curta duração.



9 – Curb Your Enthusiasm (2000): Esta comédia foi feita especialmente para os órfãos de Seinfeld. Trata-se de uma visão pouco realista da vida de Larry David (interpretando ele mesmo) vivendo dos frutos do sucesso de Seinfeld, série da qual ele foi co-criador.
Com seu humor extremamente inteligente que eleva situações sociais e cotidianas ao extremo do absurdo, Larry David entrega um verdadeiro presente aos fãs de Seinfeld e ao público em geral.
PS: NÃO É NECESSÁRIO TER ASSISTIDO SEINFELD PARA VER CURB YOUR ENTHUSIASM, APESAR DISSO, RECOMENDAMOS MUITO QUE ASSISTAM, AFINAL SEINFELD TAMBÉM É EXCELENTE.

8 – Six Feet Under (2001 – 2005): Tratando de assuntos como assassinato, homossexualidade, infidelidade e religião, Six Feet Under foi um premiado seriado que mesclava drama com a comédia de humor negro que se fez presente na televisão durante cinco temporadas.
A série conta a história de uma família que é dona de uma funerária. Após o filho mais novo retornar para a cidade, o mesmo acaba se envolvendo com os negócios da família.



7 – Boardwalk Empire (2010 – 2014): Atlantic City, 1920. Acompanhamos Enoch “Nucky” Thompson, um tesoureiro que entra no mundo do crime associando-se aos mafiosos e ao tráfico de bebidas alcoólicas durante a Lei Seca.
Com grandes nomes como Steve Buscemi no elenco e Martin Scorsese na produção e direção, Boardwalk Empire é um prato cheio para os fãs de histórias de crimes e amantes de dramas profundos no geral.



6 – Roma (2005 – 2007): A série é uma superprodução da HBO que acompanha grandes acontecimentos do mundo antigo, mais especificamente, parte da história de Roma. Com duas temporadas que acompanham respectivamente Júlio César e Otaviano sob os olhos dos soldados Lucius Vorenus e Titus Pullo.



5 – Band of Brothers (2001): A Segunda Guerra Mundial já foi cenário de grandes produções, seja em filmes, livros, séries, quadrinhos ou qualquer outra mídia. Uma dessas produções foi a minissérie de 10 episódios Band of Brothers.
A trama conta a história real da brigada de paraquedistas Easy Company, que saltou na Normandia durante o caos do Dia D. A ideia da série, além de mostrar uma visão sociopolítica geral e o próprio conflito mundial, é abordar toda a pressão psicológica que a guerra deposita nos homens que lutam nos frontes de batalha. Junto de O Resgate do Soldado Ryan, Band of Brothers é a melhor produção audiovisual voltada à segunda guerra mundial, e é referência no assunto até hoje.



4 – Oz (1997 – 2003): Foi a primeira séria da HBO a apostar em um conteúdo mais adulto em episódios com duração de quase uma hora, e por isso é considerada uma das mais pesadas.
A trama acompanha o cotidiano dos detentos de uma prisão de segurança máxima chamada Oswald Penitentiary, conhecida popularmente como Oz, e toda violência ao qual estão sujeitos. Estupros, assassinatos, gangues e rebeliões fazem parte do dia-dia desses homens, e a direção acerta em demonstrar uma visão crua de toda essa violência. A série ainda utiliza do encarceramento para tratar de temas delicados, como homossexualidade, drogas e racismo.
O elenco é cheio de talentos, mas o destaque fica para J K Simmons com seu inesquecível Vernon Schillinger, o perverso líder da Irmandade Ariana, uma das gangues mais violentas de Oz, que sujeita os outros presos a humilhações morais e físicas. Tudo que os dramas de hoje são, devem a esse show, que abriu várias portas para produções mais sérias.
There is no place like Oz!



3 – Westworld (2016 - ): Mais uma superprodução da HBO. Gira em torno do parque Westworld, ambientado no velho-oeste e tendo robôs como anfitriões. Até que um dia, os anfitriões começam a tomar consciência e se tornarem mais perigosos do que aparentavam.
Além de Anthony Hopkins e Ed Harris dando um verdadeiro show de interpretação, a série conta com Jonathan Nolan como Showrunner, ajudando a criar uma trama complexa e extremamente filosófica.


2 – True Detective (2014 - ): Assassinatos, filosofia, violência e uma grande dose de existencialismo. True Detective é uma série antológica que conta com um grande elenco a cada temporada. Inclusive, a terceira temporada tá vindo aí.
Para conhecer mais dessa série maravilhosa, basta ler o a crítica da primeira temporada aqui no blog.

 




























1 – The Sopranos (1999 – 2007): Criado por David Chase, este aclamado drama gira em torno do chefão da máfia de New Jersey, Tony Soprano, que após sofrer alguns ataques de pânico se vê obrigado a frequentar uma psiquiatra e lidar com os problemas provenientes da pressão que sofre de suas duas “famílias”.
A série sobre a máfia ítalo-americana moderna foi um sucesso absoluto de público e crítica. Ganhadora de 21 Prêmios Emmy, The Sopranos é considerada por muitos a melhor série de todos os tempos.

Por: Rennan Gardini

3 de dez. de 2017

O JUSTICEIRO – CRÍTICA


Adianto logo uma dica. O Justiceiro é uma série melhor para se ver aos poucos e não em maratona.

Tornou-se comum nas séries Marvel/Netflix se utilizar do recurso “herói” para abordar temas essencialmente humanos. Em Luke Cage, por exemplo, a abordagem da série se volta para o racismo, por se tratar de um personagem negro do Harlem. E em Jessica Jones a abordagem é voltada aos abusos e à depreciação da figura feminina.

Em O Justiceiro também foi utilizada uma abordagem humana, vemos muito pouco do anti-herói e bem mais do homem Frank Castle. A série é de longe a mais pesada de todas as séries da parceria Marvel/Netflix, porém seu peso não está apenas na violência ou nas cenas agressivas que sabíamos que a série teria. O maior peso da série, na verdade, está na angústia sentida constantemente por alguns personagens, principalmente por Frank. Essa angústia foi muito bem passada aos espectadores, você se sente mais “pesado” ao assistir.


A série sofre do mesmo problema das outras produções, o ritmo. Enquanto vemos O Justiceiro, assim como em Demolidor sentimos que a trama poderia ter alguns episódios a menos e que as histórias e personagens paralelos, apesar de serem interessantes e terem um nível de importância para a história em geral, acabam se arrastando um pouco e tomando mais tempo de tela do que deveriam.

A temporada começa com um Frank Castle “aposentado”, tentando manter a discrição após os acontecimentos em Demolidor. Frank lida mais do que nunca com o peso do assassinato de sua família e se mostra cada vez mais inquieto, até que acontecimentos inesperados o fazem voltar à ativa e ele se vê no meio de uma conspiração militar.

Seguindo a linha das outras séries, os temas abordados em O Justiceiro são os traumas pessoais e a maneira que a guerra afeta uma pessoa. Algo que pode incomodar algumas pessoas é o fato de que O Justiceiro, com caveira no peito e armado até os dentes, aparece pouco, a série não se segura no “mito” do anti-herói e busca mostrar muito o lado mais humano no personagem Frank Castle, o que acaba sendo uma das maiores virtudes da trama, apesar de não agradar a todos.

A violência presente na série está longe de ser banal. Sua presença na trama está associada à sua presença na vida de Frank, como a violência o persegue e como ele abraçou esta violência como parte de sí mesmo. A atuação de Jon Bernthal é excelente, seu Frank Castle vive a dor e amargura constantemente e quando acontece um raro momento de alívio, o passado o puxa de volta para a dor, Bernthal consegue transitar pelos sentimentos muito bem.


As tramas e personagens paralelos são muito associadas ao próprio Frank. Temos a família de Micro (Ebon Moss-Bachran, que está muito bem, por sinal) que serve para lembrar Frank que o que ele perdeu não vai voltar; Curtis Hoyle (Jason R. Moore), com o falso otimismo de alguém com profundos traumas; a trama de Lewis Walcott, a mais interessante de todas; Karen Page, que justifica sua presença ajudando a amarrar as tramas paralelas com a história do protagonista; Billy Russo (interpretado por um canastrão Ben Barnes) e seus mercenários e o arco da policial Dinah Madani (Amber Rose Revah), que apesar de necessário, acaba não acrescentando tanto e sendo o mais monótono de todos os arcos da história, além da personagem não ser tão interessante.


A série se difere das outras por tomar um rumo mais realista e verossímil. Castle é um homem. Ele não tem super-poderes e nem dinheiro. Castle apanha, e apanha muito durante os 13 episódios, sua grande virtude é sempre se levantar, não importa o quanto suas ações o castiguem. Apesar de tudo isso, ainda se trata de uma série de herói (ou anti-herói, no caso). Castle sempre acaba escapando, é salvo e se cura mais rápido que alguém normal, mas nada disso afeta a história, serve apenas para nos lembrar que não estamos vendo um documentário e que nesse universo ainda existem super-heróis, apesar da atmosfera da série ser muito à parte desse universo.

O Justiceiro tem seus erros, de ritmo e tramas secundárias. Mas, tudo se justifica nos episódios finais, quando todas as histórias se encaixam. Vale citar também um dos primeiros episódios, que faz referência à Born de Garth Ennis, que é considerada a origem definitiva do personagem nos quadrinhos.


Apesar dos problemas da série, ela é uma das melhores (talvez a melhor) produções Marvel/Netflix e consegue alcançar sua autenticidade. Seu peso ajuda na construção de uma história emocional e essencialmente humana, sem fugir da própria essência desse personagem complexo que vimos em várias HQs das linhas War Journal e Marvel Max.


Apenas assistam, vale à pena.



Por: Rennan Gardini

7 de ago. de 2017

TRUE DETECTIVE - PRIMEIRA TEMPORADA


Opa, tudo bom? Eu sou Rennan Gardini, novo integrante do blog. Irei postar várias coisas ligadas a cinema, séries, livros e dar meu ponto de vista sobre eles. Bom, espero que gostem e vamos a primeira resenha.

Se você costuma ver séries de detetives com casos semanais, como Law & Order e CSI, pode deixar todas essas de lado.
True Detective é uma série antológica premiada, produzida e distribuída pela HBO, em que cada temporada aborda um caso diferente, se passando em distintas localidades dos Estados Unidos e renovando o elenco a cada temporada.

O papel de Showrunner é de Nic Pizzolatto (Sete Homens e Um Destino), a primorosa direção desta primeira temporada é assinada por Cary Fukunaga (Beasts Of No Nation) e o elenco é encabeçado pelos astros Matthew McConaughey (Ganhador do Oscar por Clube de Compras Dallas) e Woody Harrelson (Indicado ao Oscar por O Mensageiro). 
A trama gira em torno dos detetives Rustin Cohle (McConaughey) e Martin Hart (Harrelson), que são incumbidos de investigar o assassinado peculiar de uma prostituta chamada Dora Lange. A temporada ilustra através de três décadas como a perseguição ao Serial Killer afetou as vidas pessoais dos protagonistas, bem como seus próprios conflitos.


O que mais se pode exaltar é a direção magistral de Fukunaga, que utiliza planos sequência, variação entre a câmera fechada e a câmera aberta e o passar do tempo para contar a história. A fotografia monocromática, a tímida, porém bem colocada trilha sonora e a própria direção ajudam a criar uma atmosfera de solidão ao redor dos personagens.

True Detective não é uma simples série policial. É visto logo de cara o tom filosófico, voltado principalmente para o existencialismo, que demonstra como as pessoas lutam contra a perda de entes queridos, como a traição e a dupla vida criam conflitos familiares e como lidar com uma estranha amizade.

Destaque aos atores principais, que dão um show em seus papéis. Mcgonaughey, em uma de suas melhores atuações, nos entrega um homem perturbado, que se entrega totalmente ao trabalho e à autodestruição para fugir do passado, enquanto Harrelson interpreta um pai tentando viver uma vida dividida entre família, trabalho policial e amante. Os dois atores demonstram com excelência as mudanças na personalidade dos personagens conforme o tempo passa.


O formato se encaixa no padrão HBO, oito episódios de quase uma hora cada, que apesar da extensão, te deixam preso até o fim, imerso no mistério e nos conflitos da trama. Lembrando que, por se tratar de uma produção da HBO, a série é de um teor bem adulto, contendo violência, sexo e uso de drogas.

A abertura da temporada é um show à parte. Ao som da música Far From Any Road da banda americana The Handsome Family são mostradas imagens dos personagens mesclados com locais do estado da Louisiana (onde o enredo se passa). A abertura diz tudo sobre o que é a série, e é daquelas que você não pula e fica cantarolando na cabeça sem parar. O conjunto de imagens, música, edição e direção de arte são impecáveis.

Na verdade, o único pecado da temporada está em seu final. A velocidade com que o mistério se resolve pode vir a causar uma estranheza, dado o tempo que os detetives se dedicaram ao caso. Apesar disso, a viagem pela qual os protagonistas passaram do início ao fechamento da trama acaba sendo mais importante que a resolução do mistério em si, ou seja, mesmo que tudo se resolva "muito rápido" isso não afeta tanto a qualidade da série.


Se você gosta de mistérios, debates filosóficos, cenas mais realistas de ação, personagens profundos e não se abala pela abordagem de temas pesados, a primeira temporada de True Detective é totalmente recomendada a você. Garantia de imersão do início ao fim da trama.

Nota: 9/10

14 de jan. de 2017

DESVENTURAS EM SÉRIE


OLÁ LEITORES LINDOS!!! Ontem foi sexta-feira 13 e temos um post novo e diferente para vocês, no final de 2016 eu reli o primeiro livro de Desventuras em Série que, para quem não sabe, já virou filme e ontem lançou como série da Netflix. 

Primeiro vamos aos livros. 13 livros compõem a coleção Desventuras em Série que contam a vida triste e sofrida de três irmãos órfãos, que após a morte de seus pais passam de parente em parente e quando acham que estavam finalmente em casa e encontraram o seu lugar um desastre acontece e eles são novamente jogados nessa vida repleta de desgraça e tristeza. O primeiro tutor dos irmão Baudelaire é o ator decadente Conde Olaf, que em vez de acolher as crianças e conforta-las, só pensa na fortuna deixada pelo pais dos órfãos. Devido a ganância de Conde Olaf ele fará da vida dos irmãos um verdadeiro inferno, cansando-os até que consiga a fortuna tão desejada. 


Eu conheci a série através da adaptação para filme de 2004, que sinceramente amei. A atuação do Jim Carrey foi excepcional, acrescentando um toque irônico e cômico às desventuras dos irmãos Baudelaire. Diferente do filme o livro tem uma trama bem mais sinistra e cruel, Conde Olaf é bem mais intolerante, deixando todos os leitores com ódio do personagem. O livro é bem curtinho, a leitura é super rápida e o narrador foi uma parte que gostei muito, a forma como ele descreve tudo e principalmente como os personagens se sentem. 

Eu acabei de assistir a série (sim eu assisti enquanto fazia esse post), e confesso que no começo não estava com altas expectativas e é obvio que me enganei completamente. A série é muito boa, os personagens são ÓTIMOS e o que mais me agradou foi o roteiro, que está MUITO IGUAL ao do livro, isso me deixou muito feliz, porque é maravilhoso ver as semelhanças com o livro que você gosta tanto e detalhes você não quer que se percam com a adaptação. 

Leitores, a coisa mais legal de todas foi o Patrick Warburton representando o Lemony Snicket, que é o pseudônimo de Daniel Handler, autor de Desventuras em Série. O papel dele foi fundamental, narrando toda a estória e falando como as crianças se sentiam, exatamente como acontece nos livro, foi simplesmente maravilhoso. Não posso deixar de falar dos irmãos Baudelaire que são o foco principal da série. Os atores transmitiram a sensação de família abandonada e perdida com perfeição. O Klaus foi fantástico, mas senti falta de uma Violet mais presente, mais determinada, e a Sunny é a coisa mais fofa do elenco. 

Uma coisa que eu estava com receio era da atuação do Neil Patrick Harris como Conde Olaf, porque o Jim Carrey ficou marcado na minha infância com esse personagem, mas diferente do Jim o Neil deixou o personagem mais sério e cruel, mas com um pouquinho de comédia, exatamente como no livro. 

Então se você quer ver uma série boa, indico Desventuras em Série que está sendo uma adaptação muito boa e deixará o espectador curioso a cada episódio.

Trailer de Desventuras em Série

6 de jan. de 2017

RESENHA: DAMA DA MEIA-NOITE

Dama da Meia-Noite (Os Artifícios das Trevas)

Autora: Cassandra Clare

Editora: Galera Record

Páginas: 560

Ano: 2016

Nota: 7.8/10

Sinopse: Em “Dama da Meia-Noite”, Cassandra retoma o universo de fantasia urbana da série Os Instrumentos Mortais, que já ganhou a tela de cinema e agora é série de TV exibida pelo canal Netflix. Cinco anos após os acontecimentos de Cidade do Fogo Celestial, acompanhamos os Caçadores de Sombras do Instituto de Los Angeles enquanto tentam descobrir os responsáveis por uma série de assassinatos que vitimam tanto humanos quanto fadas. Agora Emma Carstairs é uma jovem em busca dos assassinos de seus pais, com a ajuda de seu parabatai, Julian Blackthorn. As crianças cresceram e podem se tornar os melhores Caçadores de sua época.


Bom, eu já li a coleção Os Instrumentos Mortais inteira e já estava familiarizada com a escrita de Cassandra Clare, que confesso não era melhor escrita do mundo, mas era uma ÓTIMA estória. Em Dama da Meia-Noite a autora deu uma leve melhorada, mas as características não foram perdidas. O meu maior problema nessa leitura foi o começo, sabe quando a leitura não flui, parece que a história está arrastada, acontece várias coisas, mas mesmo assim parece meio sem graça? Isso foi o que pensei quando comecei e até a metade do livro a leitura estava maçante. Só que a partir de uma revelação a estória parece que tomou um rumo diferente, tudo pareceu ter uma ligação e as características da autora ficaram mais evidentes, deixando a leitura mais rápida e fluida. 

Mas não espere uma super inovação na estória, ainda é a mesma “rotina” dos outros livros da Cassandra, gente morrendo, ressuscitando e o casal principal não podendo ficar juntos. Mas vamos falar do contexto em si. Nesse livro vamos ver os personagens Emma Carstairs e Julian Brackthorn, que apareceram no último livro da série Instrumentos Mortais. Durante a Guerra Maligna tudo em suas vidas mudou, Emma perdeu seus pais e ficou sozinha e Julian teve que tomar uma difícil decisão, buscando proteger seus irmãos ele teve que matar seu próprio pai, pois tinha se tornado um dos crepusculares de Sebastian. Os dois sempre foram melhores amigos e tudo o que tinham era um ao outro, tanto que eles se tornaram parabatais, e é aí que o leitor morre e começa toda a problemática do livro. 

Emma após 5 anos da morte de seus pais ainda caça o seu assassino, ela não é mais uma criança assustada e inconsequente (talvez um pouco), ela se tornou uma promessa, ela é vista como o próximo Jace de sua geração. Mas nesses anos que se passaram o que mais a move em busca desse assassino é a sede de vingança e a única coisa que consegue estabiliza-la é Julian, que sempre cuidou de todos e tem um fardo insuportável em seus ombros, além de cuidar de 4 crianças. A vida de Julian e Emma é repleta de dor e sofrimento o que deixará o leitor com o coração partido em determinadas partes da estória. Mas tudo parece se encaixar quando depois de tantos anos corpos de fadas são encontrados semelhantes aos corpos dos pais de Emma, coberto de marcas e molhados com água do mar. Emma, Julian e todos os Blackthorn buscam pistas desse assassino que voltou, mas eles não podem contar com a ajuda da Clave, pois ela é uma forma de governo totalmente antiga e fechada para ideias jovens. Sério leitores, se eu já tinha ódio da Clave, nesse livro eu quis matar cada integrante deles, pois eles deixaram assuntos inacabados debaixo do tapete para apenas mostrar que eles tinham razão.

Com todo o passado de Emma vindo à tona é claro que o de Julian não iria ficar parado, seu irmão Mark, que havia sido levado pelas fadas, volta totalmente transformado. Desde esse ocorrido Julian se tornou um adolescente forte e o único a cuidar dos irmãos menores, e com a volta de Mark, Julian fica desestabilizado pois pensava que seu irmão tinha partido para sempre. Mark será a ligação dos nephilins com o reino das fadas, que foram punidas após a Guerra Maligna e agora estão desprotegidas e sendo assassinadas sem poder pedir ajuda dos Caçadores de Sombras, o que me deixou indignada, por que pelos erros de alguns todos tiveram que pagar e muitas vidas de fadas já foram perdidas. O papel da Clave é apenas se manter acima de todos, mesmo que para isso deixe povos do submundo a própria sorte. 

O outro foco da trama é o amor entre Julian e Emma, que acabou com meu coração. Eles são parabatais e segundo a lei da Clave (porcaria), parabatais jamais podem se apaixonar e isso me deixou do chão. Quando parece que tudo está indo pelo caminho certo vem um personagem e joga uma bomba e tudo vai por água abaixo. Esse amor proibido é clichê mas é quase impossível não se sentir mal por ele. Uma das coisas que mais me chamou atenção foi a união dos Blackthon e da Emma, mesmo ela não tendo o mesmo sangue eles a acolheram. O envolvimento deles com o caso dos pais dela mostra que todos a aceitaram independente do sangue. 
E sobre o final do livro eu MORRI de tristeza e ódio. Por que os personagens da Cassandra sempre têm que encerrar o livro fazendo coisas erradas? Então se você quer ler um livro com amor proibido, mistérios e assassinatos esse é uma boa. E pra quem já leu os outros livros da autora teremos um pouquinho dos antigos personagens e algumas novidades em Dama da Meia-Noite.

 renata massa