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11 de jul. de 2018

OUTSIDER - RESENHA

OUTSIDER

Autor: Stephen King

Editora: Suma

Páginas: 528

Ano: 2018

Sinopse: Um crime indescritível. Uma investigação inexplicável. Uma das histórias mais perturbadoras de Stephen King dos últimos tempos. O corpo de um menino de onze anos é encontrado abandonado no parque de Flint City, brutalmente assassinado. Testemunhas e impressões digitais apontam o criminoso como uma das figuras mais conhecidas da cidade — Terry Maitland, treinador da Liga Infantil de beisebol, professor de inglês, casado e pai de duas filhas. O detetive Ralph Anderson não hesita em ordenar uma prisão rápida e bastante pública, fazendo com que em pouco tempo toda a cidade saiba que o Treinador T é o principal suspeito do crime. Maitland tem um álibi, mas Anderson e o promotor público logo têm amostras de DNA para corroborar a acusação. O caso parece resolvido. Mas conforme a investigação se desenrola, a história se transforma em uma montanha-russa, cheia de tensão e suspense. Terry Maitland parece ser uma boa pessoa, mas será que isso não passa de uma máscara? A aterrorizante resposta é o que faz desta uma das histórias mais perturbadoras de Stephen King.



O homem comum não precisa de muito para se manter feliz. Casa, família, emprego, uma cerveja com os amigos, assistir seu time favorito, fazer amor, ouvir música, coisas simples e essenciais, sobretudo para o americano comum que vive em uma cidade pequena. Mas e se de repente todas as coisas simples fossem substituídas por medo e incertezas? E se de repente a vida de um homem virasse de cabeça para baixo?

Outsider é o mais recente romance do escritor americano Stephen King, se tratando de uma mescla de suspense policial com o bom e velho horror pelo qual o autor é tão conhecido.
Certo dia a pequena Flint City é tomada por um crime terrível. O assassinato brutal de um menino de onze anos chamado Frank Peterson. Todas as evidências apontam para Terry Maitland, o treinador do time infantil de baseball da pequena cidade, e o detetive Ralph Anderson prontamente efetua a prisão, da maneira mais humilhante possível, na frente de mais de mil pessoas. Porém, Maitland tem um álibi perfeito e mesmo com todas as provas, incluindo DNA, digitais e testemunhas o oculares apontando diretamente para o treinador, o álibi parece inquebrável. Não demora muito para o mistério ganhar uma proporção absurda e Ralph Anderson começar a se perguntar, como uma pessoa pode estar em dois lugares ao mesmo tempo?

Outsider demonstra mais uma vez a grande versatilidade de Stephen King, que é relativamente novo no mundo dos suspenses policiais. Desde o princípio, o leitor se vê horrorizado pelo crime, intrigado pelas evidências e pelas dúvidas que vão surgindo quanto ao caso.
Importante frisar que Outsider entrega Spoilers de Mr. Mercedes e alguns pontos importantes de toda a trilogia Bill Hodges, então se você ainda não leu, dá tempo de pegar os três livros antes de partir para Outsider.

Quanto aos personagens, Ralph Anderson consegue se sustentar como protagonista ao exaltar todas as suas dúvidas, tanto as que provém do fato de ele nunca ter sido responsável por um caso tão cruel e estranho, quanto as provenientes das atitudes que ele tomou acerca da prisão de Terry Maitland. Durante o livro, o leitor pode se encontrar no mesmos conflitos que Ralph se encontra. King mais uma vez acerta em cheio em suas descrições, fazendo o leitor sentir ojeriza do crime e dúvidas quanto a inocência de Terry Maitland, bem como o ceticismo fervoroso de Ralph Anderson, que lentamente vai caindo por terra. Outra grata surpresa, vinda direto da Trilogia Bill Hodges, foi a doidinha Holly Gibney e seu carisma absurdo, que ajuda tanto na construção da história e da sucessão de eventos que levam ao final, quanto a construção do próprio protagonista do livro. A dinâmica entre Holly e o detetive Anderson é a melhor parte dessa história.


A Suma de Letras, mais uma vez, fez um trabalho sensacional com um livro do mestre King. Mantendo a capa e o título originais do livro, quanto a tradução, foi “rápida e precisa”, como diriam para Schwarzenegger em Comando Para Matar. A Suma de Letras teve um carinha especial com essa obra, assim como tem com todas as obras do mestre Stephen King.

Outsider é mais uma obra fundamental para os fãs do autor e dos gêneros de suspense policial e horror. Até agora foi a melhor leitura de 2018, e acho difícil isso mudar. Com suas mais de 500 páginas, que são incrivelmente dinâmicas, o livro fica mais instigante a cada parágrafo. Super Recomendado!
Aconselhamos lerem a Trilogia Bill Hodges antes! Para evitar os Spoilers.


Por: Rennan Gardini

5 de mai. de 2018

RESENHA: A CAÇADORA DE DRAGÕES


A Caçadora de Dragões

Autora: Kristen Ciccarelli

Editora: Seguinte

Páginas: 408

Ano: 2018

Sinopse: Quando era criança, Asha, a filha do rei de Firgaard, era atormentada por sucessivos pesadelos. Para ajudá-la, a única solução que sua mãe encontrou foi lhe contar histórias antigas, que muitos temiam ser capazes de atrair dragões, os maiores inimigos do reino. Envolvida pelos contos, a pequena Asha acabou despertando Kozu, o mais feroz de todos os dragões, que queimou a cidade e matou milhares de pessoas — um peso que a garota ainda carrega nas costas.
Agora, aos dezessete anos, ela se tornou uma caçadora de dragões temida por todos. Quando recebe de seu pai a missão de matar Kozu, Asha vê uma oportunidade de se redimir frente a seu povo. Mas a garota não vai conseguir concluir a tarefa sem antes descobrir a verdade sobre si mesma — e perceber que mesmo as pessoas destinadas à maldade podem mudar o próprio destino.



Olá amantes literários, como vocês estão? E as leituras de início de ano estão boas ou não? As minhas não poderiam estar melhores, mas antes de falar sobre as minhas leituras eu preciso me apresentar. Eu sou Beatriz Holanda, mas podem me chamar de Bia, uma das novas integrantes do blog. Irei tentar resenhar sobre os mais diversos tipos de livros e espero que vocês gostem, espero também que minhas resenhas melhorem com o tempo. Sem mais delongas, vamos a primeira resenha. 

Quando era criança Asha sempre acordava no meio da noite por causa de seus inúmeros pesadelos, então sua mãe começou a contar histórias antigas para acalma-la. Mas essas narrações de histórias antigas levou a rainha a morte, pois todos sabem o que acontece com contadores de histórias (ou morrem através de uma doença rara ou são atacados por um dragão). Depois da morte de sua mãe Asha começou a se encontra com o dragão ancestral Kozu, para lhe contar histórias que um dia sua mãe usou para acalma-la, mas Kozu se voltou contra ela e seu povo, deixando o seu reino em ruínas e uma horrorosa cicatriz em seu corpo.

 Depois de oito anos a princesinha Asha se tornou na odiada e temida Iskari e a única forma de redenção para ela é se casar com o cruel Jarek (a pessoa que mais sofreu coma destruição de Kozu) ou causar a extinção dos dragões. Com a união dos dois tão próxima seu pai oferece uma missão em troca de sua liberdade. Asha deve caçar e matar seu pior pesadelo, Kozu.


Os planos de Asha começa a mudar quando seu irmão Dax pede para salvar o criado pessoal de seu noivo, como se isso não bastasse ela começa a ter sonhos com o primeiro herói do Antigo, com missões propostas pelo próprio Antigo. Todas essas reviravoltas vão fazer com que a temida Iskari reveja todos os seus conceitos do mundo e de si própria.

Nos primeiros capítulos nos vemos uma protagonista que aceita sua essência corrompida e que acredita piamente que a única forma de conseguir sua liberdade e redenção é através das ordens de seu pai. No decorrer do livro ela vai ser tornando um pouco mais consciente do que ocorre ao seu redor, tanto em relação a escravidão que seu povo pratica com outro povo (com a falsa justificativa de precaução) como a caça e morte dos dragões.

O livro é bem complexo e apresenta inúmeras reviravoltas, é o tipo de fantasia onde não se pode confiar em nenhum personagem e nem se pode confiar na veracidade da história do reino. Com uma mistura de “A maldição do vencedor” (em relação a sociedade) e “Eragon” (em relação a apresentação dos dragões), “A caçadora de dragões” traz uma perspectiva diferente entre os heróis e os vilões. O único ponto que deixou a desejar foi a falta de um mapa, seria bem mais interessante acompanhar as reviravoltas do livro com um mapa já descrito no livro.



Por: Beatriz Holanda

23 de fev. de 2018

1922 - CONTO E FILME


Em 2017 tivemos várias adaptações de obras do mestre Stephen King, algumas acabaram sendo excelentes, como It – A Coisa, e outras acabaram sendo uma decepção, como A Torre Negra. No meio de tantas, tivemos 1922, baseado em um conto de 148 páginas do mesmo nome, presente na coletânea Escuridão Total Sem Estrelas, o filme foi lançado pela Netflix, assim como outras adaptações do mestre, como Jogo Perigoso e a série já cancelada O Nevoeiro.

1922, se passa no ano que dá título à história no estado americano do Nebraska e conta a história do fazendeiro Wilfred James. Após a esposa de Wilfred, Arlette, decidir vender as terras herdadas de seu pai para uma grande companhia, o homem decide persuadir seu próprio filho a ajuda-lo a matar sua esposa. Mas acaba enfrentando sérias consequências pelos seus atos.


Conto:
Existem pessoas que não gostam de ler contos, por acharem que o fato de serem curtos prejudica na imersão e desenvolvimento da leitura. 1922 é a prova de que isso não é verdade. Wilfred é um personagem fascinante e à cada novo acontecimento, nos vemos mais curioso sobre como a história irá acabar. A escrita de King é bem detalhada e imersiva, apesar de mais lenta. O conto é narrado em primeira pessoa, como a confissão de Wilfred, mas acaba nos fazendo sentir cumplices do crime.

Durante a leitura, são levantadas diversas questões. Entramos na cabeça de um homem simples que se torna um monstro e vemos sua visão sobre a época e os acontecimentos. À partir de certo ponto nos vemos duvidando se os acontecimentos contidos nas páginas do conto são sobrenaturais ou apenas delírios de um homem perdendo a sanidade, e King é esperto o suficiente para não nos dar a resposta e deixar que tiremos nossas próprias conclusões. Apesar de essa questão permanecer em aberto, o final é completamente fechado.
Temos aqui um exemplo de que Stephen King consegue ser brilhante tanto em 1000 páginas quanto em 150 páginas.


Filme:
Quem me conhece sabe o quanto sou fã do autor, e os fãs sempre tendem a ficar com o pé atrás para as adaptações. Importante dizer que o filme não mata o conto, ambos merecem ser vistos como obras separadas e analisados assim também.

O filme é uma adaptação bem fiel do conto, deixando de lado algumas coisas em prol do ritmo da narrativa, afinal se trata de outra mídia. Wilfred James em tela é tão fascinante quanto Wilfred James em texto. Isso se dá por uma ótima atuação de Thomas Jane, que já havia trabalhado em outras adaptações de obras do mestre. Porém, o restante dos personagens acaba sendo raso, o que não estraga o longa, mas causa um estranhamento naqueles que podem ser familiarizados com a obra original.

Os maiores pontos negativos do filme se encontram em seu primeiro ato. Um tanto apressado e costurado por uma narração muitas vezes desnecessária, não sentimos tanta força assim na história e a decisão de matar Arlette parece bem forçada pelo roteiro.

O ritmo do filme acaba se equilibrando a partir do segundo ato, quando vamos conhecendo mais as motivações de Wilfred e entendendo mais seu personagem e o amor que ele sente pelas suas terras e pelo seu filho, o que acaba explicando suas atitudes. Quanto ao final, o roteiro acaba enfraquecendo o desfecho da história, enquanto no conto permanece a dúvida de que os eventos que o personagem presencia são sobrenaturais ou apenas alucinações, o filme decide tomar partido nisso e decide pelo espectador. Essa decisão acaba tirando a graça do enredo.
Agora se o filme é bom ou ruim.

Vivemos em um tempo de grande extremismo, hoje em dia as pessoas classificam os filmes em péssimo ou excelente, sem meio termo.

1922 é bom, apenas bom. Mas as vezes bom é o suficiente.


Por: Rennan Gardini

2 de fev. de 2018

RESENHA: FRAUDE LEGÍTIMA

FRAUDE LEGÍTIMA

Autora: E. Lockhart

Editora: Seguinte 

Páginas: 280

Ano: 2017

Nota: 4/5


Sinopse: Jule West Williams é uma garota capaz de se adaptar a qualquer lugar ou situação. Imogen Sokoloff é uma herdeira milionária fugindo de suas responsabilidades. Além do fato de serem órfãs, as duas garotas têm pouco em comum, mas isso não as impede de desenvolver uma amizade intensa quando se reencontram anos depois de terem se conhecido no colégio. Elas passam os dias em meio a luxo e privilégios, até que uma série de eventos estranhos começa a tomar curso, culminando no trágico suicídio de Imogen e forçando Jule a descobrir como viver sem sua melhor amiga. Mas, talvez, as histórias das duas garotas tenham se unido de maneira inexorável — e seja tarde demais para voltar atrás.


Olá leitores!!! Como estão as leituras de vocês? Espero que melhores que as minhas. Já comecei o ano não cumprindo minhas metas, mas vida que segue e as leituras também. Hoje vamos falar sobre o livro Fraude Legítima, da autora E. Lockhart. Essa escritora já tem um histórico literário de grande sucesso, seu primeiro livro lançado no Brasil foi O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks (2013), que inclusive temos resenha aqui no blog. O segundo livro de E. Lockhart publicado no pais foi Mentirosos (2014), que com certeza a consagrou com uma escritora de renome no brasil. E no final de 2017 tivemos a grata surpresa de seu novo livro Fraude Legítima, que todos estávamos com altas expectativas.

Logo no primeiro capitulo nos é apresentada Jule, uma garota que está se escondendo de tudo e de todos. Ela se encontra em um hotel no México e quando alguém se aproxima para conversar, a mesma fica nervosa e desconfiada, devido ao seu passado que nos é escondido durante os primeiros capítulos do livro. Vemos ao longo da leitura que isso aconteceu logo após o suicídio de sua melhor amiga Imogen, uma menina adotada, com pais ricos e que se sentia deslocada de alguma forma. Jule e Imogen eram muito próximas, quase a mesma pessoa e o ocorrido inesperado deixou todos muito chocados.


Primeira curiosidade do livro, ele começa de trás para frente. Nós começamos o livro no capitulo 18 e com o passar das páginas vamos descobrindo o que realmente aconteceu com a protagonista. Isso me deixou extremamente curiosa, pois no começo queremos entender o porquê da protagonista está no México e porque ela é tão reclusa e discreta em relação as pessoas.

Todo esse mistério do passado de Jule é contado no livro, retornando ao motivo de ela querer se proteger de tudo. É intrigante a forma fria e calculista que a protagonista tem, chegando a ser violenta e de certa forma brutal. Ela não é uma garota com medo e sim uma garota que nos dá medo. A construção da personalidade dela é muito curiosa, pois durante a leitura eu fiquei intrigada com cada capitulo que passava. Nós não imaginamos o que o passado de Jule esconde e isso torna tudo mais impressionante.


Quando eu estava lendo tive a sensação de estar sendo totalmente enganada, mas acreditei que Jule era uma boa pessoa, porem triste pois perdeu sua amiga e queria um tempo. Mas eu fui ludibriada, o que é uma característica da E. Lockhart. A autora escreve de uma forma tão bem construída que nos faz realmente acreditar na personagem, acreditar que mesmo que ela tendo feito coisas no passado isso não define ela por completo.

“... nossas piores ações nos definem? Ou somos melhores do que as piores coisas que já fizemos? “

E. Lockhart conseguiu me surpreender novamente, mostrando que nem tudo é o que parece, que podemos ser uma fraude sustentadas por nós mesmos. É muito bom voltar a ler um livro da escritora, amo encontrar livros do mesmo autor mas com temáticas diferentes, com novas ideias e caminhos a serem explorados. É muito boa a forma como a história é imprevisível fazendo com que o leitor não pare a leitura por nada.

É importante destacar a forma que o livro é “entregue” ao leitor, com a história começando de trás para frente nos faz ter mais curiosidade e o enredo prende o leitor a cada página. Talvez se ele tivesse começado como um livro normal eu não gostasse tanto, pois não ter algo de inovador. Mas da forma que ele ficou é incrível e impressionante. Li o livro em poucos dias, a leitura fluiu de tal forma que não consegui largar o livro enquanto não terminei. Além disso a edição está linda, a capa condiz totalmente com a história e a editora Seguinte foi extremamente feliz nesse lançamento.



Por: Monique Braga

1 de fev. de 2018

5 MOTIVOS PARA LER A TRILOGIA DOS ESPINHOS



Ano passado eu estava à procura de um livro leve para intercalar minhas leituras mais pesadas. Eis que me deparei com Prince of Thorns, o primeiro livro da aclamada Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence. Resolvi dar uma chance ao livro, pensando que encontraria uma fantasia leve e um pouco juvenil. Entretanto, logo nas primeiras páginas fui surpreendido com uma leitura pesada e um universo incrível, um livro que com certeza não é juvenil.

Logo após terminar minha leitura de Prince of Thorns, me vi tão imerso e apaixonado que não consegui engajar em nenhuma outra leitura até ter em mãos o segundo volume da trilogia, King of Thorns. E antes de terminar o ano já tinha fechado toda a trilogia. Senhoras e senhores, que grata surpresa. A Trilogia dos Espinhos acabou se tornando minha melhor leitura de 2017 e uma das melhores da minha vida e hoje nesse post de recomendação, irei listas cinco motivos para vocês darem uma chance a esse incrível universo criado por Lawrence.

Vamos lá:


5 – A Edição: Apesar de não estar relacionada à história em sí, é sempre bom ter livros bonitos na nossa estante. A edição brasileira lançada pela maravilhosa Darkside Books já é um bom motivo para dar uma chance ao universo. Capas duras estampando artes lindas e uma excelente diagramação, isso que você irá encontrar nos exemplares brasileiros.

4 – A Escrita de Mark Lawrence: Posso resumir esse ponto na seguinte frase: MARK LAWRENCE ESCREVE PRA CARAMBA!
A descrição de seu universo é bem detalhada, o que nos faz crer nele, mesmo com toda a complexidade que o envolve. Aventura, tramas políticas, cenas de ação, diálogos, construção narrativa, desenvolvimento de cenário e personagens, todos os aspectos são brilhantemente ilustrados até o ponto em quem você para de ver letras e a história simplesmente flui como um filme na sua cabeça.

3 – Realismo: Apesar de se tratar de uma fantasia dark, os acontecimentos são plenamente plausíveis com a idade média que conhecemos. A retratação da sociedade na época imposta remete muito a tudo que conhecemos historicamente, isso dá profundidade para o universo. Tudo é muito cru e visceral, a violência não está lá apenas para agradar ao público, ela serve para desenvolver os personagens e fazer a trama andar para frente. Ainda assim, é sempre gratificante ver uma batalha brutal ou outra.

2 – O Universo: Não direi nada a respeito da época em que os livros se passam, porquê acho pertinente os novos leitores decifrarem isso sozinhos e terem a mesma surpresa que tive. O que posso dizer é que o modo como isso nos é apresentado é muito bem encaixado, Lawrence não simplesmente joga os elementos do universo na boca de um personagem, ele vai entregando os elementos e deixando que isso se monte na cabeça do leitor, desde seus personagens até seus cenários e acontecimentos, nada é gratuito, tudo gira em torno da história e da construção do universo.

1 – O Protagonista: A Trilogia dos Espinhos é narrada em primeira pessoa, sob os olhos do príncipe Honório Jorg Ancrath, um jovem que teve sua mãe e irmão assassinados de forma brutal e foi jogado em um arbusto de roseira brava, tendo ele mesmo quase morrido. Aos 10 anos de idade, Jorg fugiu do castelo de seu pai levando vários prisioneiros e eventualmente acaba os liderando em uma irmandade.
É impressionante a construção de personagem que o autor faz em Honório Jorg Ancrath, é difícil acreditar que alguém tão novo seja capaz de fazer as coisas que vemos o anti-herói fazer, mas a narrativa contada em duas linhas de tempo rapidamente nos faz crer nos acontecimentos.
Diversas vezes durante a leitura, podemos nos pegar pensando no motivo pelo qual torcemos por alguém tão perverso. A verdade é que o grande trunfo do livro é seu protagonista e como Lawrence nos faz embarcar em sua jornada de vingança e busca pelo poder. É curioso acompanhar a ascensão de alguém que não é exatamente um herói e que trabalha apenas em função de seus próprios interesses. Orgulhoso, frio, calculista e cruel, esse é Jorg Ancrath.


Em 2014, Mark Lawrence lançou o Volume 1 de uma nova trilogia chamada A Guerra da Rainha Vermelha, o primeiro livro se chama Prince Of Fools e se trata de um Spin Off de A Trilogia dos Espinhos, acompanhando outro personagem, o príncipe Jalan Kendeth em uma aventura paralela à de Jorg. Caso tenham interesse, posso trazer uma resenha completa do primeiro volume assim que finalizar minha leitura.

Esperamos que o post tenha agradado vocês e que tenha os instigado a ler essa maravilhosa obra. Aqui fica a nossa recomendação. Os que lerem não irão se arrepender!


Por: Rennan Gardini

25 de jan. de 2018

RESENHA: BLACK HOLE

BLACK HOLE

Autor: Charles Burns

Editora: Darkside

Páginas: 368

Ano: 2017

Nota: 5/5

Sinopse: Black Hole se passa nos arredores de Seattle, extremo noroeste dos Estados Unidos, em meados da década de 1970, quando uma praga inominável e traiçoeira se alastra entre os adolescentes locais através do contato sexual e parece não poupar ninguém. Ela se manifesta de maneira diferente em cada um dos infectados — enquanto alguns apresentam apenas manchas na pele, algo sutil e fácil de ocultar, outros se transformam em grotescas aberrações, vagas lembranças do que foram um dia. E uma vez que você foi contaminado, não há mais volta. Para estes seres monstruosos, não há alternativa além do auto-exílio em acampamentos precários, na floresta que circunda a região. Conforme vamos nos familiarizando com os diversos protagonistas da história — garotos e garotas que foram infectados, outros que não foram e aqueles que estão prestes a ser —, o clima de horror, delírio e insanidade toma conta dos adolescentes. Black Hole apresenta um retrato soberbo e inquietante da alienação dos tempos colegiais, repleto de selvageria e crueldade e hormônios à flor da pele, que dialogam com a angústia, o tédio e as necessidades mais profundas de nossa própria aceitação que dominam essa época da vida.


OBS: Antes de começar, gostaria de dizer que é minha primeira vez resenhando algo que não seja um filme. Caso achem pertinente continuar, posso trazer mais resenhas voltadas a quadrinhos e livros. Agora, vamos à Black Hole.

O período da adolescência é pautado por bons e maus momentos. As inseguranças e angústia costumam se fazerem bem presentes nessa época. Várias obras conseguem representar muito bem esse período, algumas de maneira mais cômica e outras com extrema profundidade. Black Hole se encaixa nessa segunda opção.

A obra-prima de Charles Burns, foi originalmente publicada entre 1993 e 2004 pela Fantagraphics e pela Kitchen Sink Press em 12 edições. Ganhou vários prêmios, incluindo o Harvey Awards de Melhor Artista em 1998, 1999, 2001, 2002, 2004 e 2006; o Harvey Awards e o Eisner Awards de Melhor Graphic Novel em 2006; o Ignatz Awards de Melhor Antologia em 2006 e por fim o Prêmio Para Obras Fundamentais no Festival de Angoulême em 2007. Resumindo, MUITOS PRÊMIOS.

Foi trazida recentemente para o Brasil pela maravilhosa Darkside Books em seu recém-inaugurado selo Darkside Graphic Novel, que também nos brindou com excelentes obras como Wytches e Meu Amigo Dahmer. A edição em capa dura reúne os doze volumes originais em 368 páginas.


Black Hole se passa nos arredores de Seattle em meados da década de 70, enquanto uma praga se alastra entre os jovens da região através do contato sexual. A história segue alguns jovens da cidade e demonstra como o contato com a doença que deforma seus corpos vira a vida deles de cabeça para baixo. Com o povo da cidade deixando claro que os infectados não são mais bem vindos entre eles, não resta escolha aos jovens senão se isolar em uma floresta próxima da cidade, abandonando a escola, a família e a sociedade.

De cara posso afirmar que Charles Burns é um verdadeiro artista. Pensar que Black Hole inteira foi idealizada e realizada apenas por ele é quase surreal. A arte é bem retrô e a ambientação dos anos 70 é bem realista. Os jovens na história se encontram em uma fase em que querem liberdade e curtir a juventude e o clima da época casa muito bem com todos os acontecimentos da trama.

A trama de Black Hole é construída em metáforas, presentes tanto na arte quanto no roteiro. Essas metáforas não são apenas as mais óbvias, como o início da Aids, que se passa bem no período que o quadrinho emprega, as metáforas de Black Hole passeiam por tudo que permeia a vida de um adolescente. Sejam os momentos de autodescoberta, a insegurança e os medos, ou coisas mais profundas como a sensação de abandono e o que acontece com uma pessoa sujeita a Bullying, tudo isso é brilhantemente encaixado na trama pelo roteiro de Burns.


Em momentos em que ocorrem sonhos, devaneios, lembranças ou viagens dos personagens, os quadros ficam tremidos, dando uma sensação de ilusão. Isso ajuda o leitor a embarcar na história junto com os protagonistas, Keith Pearson e Chris Rhodes, que funcionam como o centro da trama e nos ajudam a entender como tudo funciona sem explicações piegas.

Black Hole é um quadrinho extremamente pesado, apesar de ter poucos momentos de real violência. Seu peso está nos seus personagens e nos acontecimentos que os permeiam. A jornada dos protagonistas é bastante deprimente e torna mesmo uma coisa que pode parecer tão surreal mais realista. As deformidades em si já são perturbadoras, indo de coisas mais simples como protuberâncias e caudas até coisas absurdas, como trocas de pele e uma segunda boca. Burns consegue demonstrar muito bem como essas deformidades afetam o psicológico de seus personagens. Apesar de todos os seus pontos positivos, diria que se você não é acostumado a ler quadrinhos, seria uma boa ideia começar por algo mais leve.

Não seria exagero dizer que Black Hole figura entre as melhores graphic novels da história. Sua profundidade a faz obrigatória aos amantes do gênero e demonstra como os quadrinhos são uma forma excelente de se contar uma história.



Por: Rennan Gardini

18 de jan. de 2018

RESENHA: TARTARUGAS ATÉ LÁ EMBAIXO

TARTARUGAS ATÉ LÁ EMBAIXO

Autor: John Green

Editora: Intrínseca

Páginas: 256

Ano: 2017

Nota: 4,5/ 5

Sinopse: Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, o autor do inesquecível “A Culpa é das Estrelas”, lança o mais pessoal de todos os seus livros: “Tartarugas Até Lá Embaixo”

A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto tenta lidar com o próprio transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, distúrbio mental que o afeta desde a infância –, “Tartarugas Até Lá Embaixo” tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.



Olá leitores!!! Tudo bem com vocês? Hoje temos nossa primeira resenha de 2018, espero que gostem. Eu comecei o ano com um livro que queria muito ler, desde seu lançamento vem sendo muito comentado por todos. Depois de seis anos o autor, John Green lançou um livro que fez e está fazendo um sucesso incrível em todo o Brasil. Não tinha como a editora intrínseca errar no lançamento de Tartarugas Ate Lá Embaixo, que é o melhor livro do autor, sem dúvidas esse livro está guardado no meu coração.

Tudo começa com o desaparecimento de um bilionário, Russell Pickett. Aza Holmes e sua melhor amiga, Daisy, começam a investigar esse acontecimento, já que estão oferecendo 100 mil dólares para quem der uma informação concreta do paradeiro do bilionário. Mas por um acaso ou por foças do destino o filho de Russel era um amigo do passado de Aza e que agora é um garoto perdido com um pai desaparecido. Mas sabem aquele momento que crescemos e um amigo acaba se perdendo no passado por algum motivo e você não teve mais notícias dele? É isso que acontece com Aza e Davis. Mas o desaparecimento do pai dele pode fazer os dois voltarem a serem amigos, ou até mais que isso.


Como todo livro do John Green esse também faz o leitor pensar, e muito. A protagonista, Aza, tem TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) que faz com que ela entre em espirais de pensamentos fazendo com que se sinta cada vez pior e mais reprimida e enganada por si mesma. É bem marcante a forma que o autor trata desse transtorno no livro, é tão real e “palpável” o jeito que ele mostra como aquilo realmente acontece com as pessoas, como é não ter controle sobre seus próprios pensamentos e atitudes.

“... até você finalmente se dar conta de que não está preso na cela. Você é a cela.”

É muito bom ver o crescimento de todos os personagens, como Davis lida com seu irmão mais novo sem seu pai, como Aza vive com o seu transtorno e tenta ter uma vida normal. É lindo a forma como esses dois personagens se aproximam e como são sinceros e verdadeiros um com o outro. O livro tem inúmeras frases que faz com que o leitor leia e reflita e se coloque no lugar do personagem.

“Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar que veja o mesmo mundo que o seu.”

O que mais me chamou atenção no livro é a relação do Davis com a Aza, não é uma relação que vemos nos outros livros, cada um sabe seu limite e o outro respeita. É bonito ver o crescimento de ambos, mesmo que no final tudo fique perfeito eles estarão sempre ali para ser o ombro amigo um do outro, mesmo que o ali seja distante. Sabe aquele amigo que você não vê a tempos, mas que quando se reencontram é como se nada tivesse mudado? É assim que vejo a relação desses dois personagens.


Esse livro é muito bom um dos melhores do autor, a história é muito bem construída e o enredo não deixou a desejar nenhum pouco. Para quem já está familiarizado com a escrita do John Green será como rever um amigo dos velhos tempos, a leitura é leve e simples, características que o autor não perdeu com esses anos. Eu amei esse livro e indico muito.

25 de dez. de 2017

RESENHA: O VERÃO DA MINHA VIDA

O VERÃO DA MINHA VIDA

Autora: Nova Weetman

Editora: Harper Collins

Páginas: 224

Ano: 2017

Nota: 4/5

Sinopse: A vida é feita de escolhas, e ninguém sabe melhor disso do que as meninas! Terminar o dever ou ir para o shopping? Juntar a mesada para aquele celular incrível ou comprar o box da sua série mais amada? São tantas decisões...
As personagens da coleção Escolha o seu felizes para sempre também têm muitas opções — aqui cada escolha delas é sua, e é você quem decide o caminho que elas devem tomar. Siga o seu coração e veja aonde ele leva, ou volte atrás e escolha tudo outra vez!

 É o último dia de aulas e Frankie só consegue pensar que seu verão não está prometendo: um calor de morrer e seu violão como única companhia... Isto é, até que surge uma oportunidade de ir para Londres nas férias! Isso pareceria ótimo se não significasse reencontrar Jake, o menino que partiu seu coração. Além disso, Frankie ainda precisa decidir se férias na praia com o pai são uma saída perfeita ou uma torta de climão, já que seu pai está com uma namorada nova, que também tem uma filha! Será que ela vai perceber que esqueceu Jake de vez? Ou vai acabar enterrando a nova 'irmã' na areia? Cabe a você decidir o que Frankie vai fazer em O verão da minha vida!


Olá leitores!!! Tudo bem? Hoje temos resenha de um livro MUITO amorzinho e diferente de tudo o que já li. A editora Harper Collins nos mandou o livro O Verão da Minha Vida, da coleção Escolha o seu Felizes para Sempre. Eu não tenho muito costume de ler romances, sou mais de fantasia, vocês já devem ter percebido pelos livros que mais veem por aqui. Mas esse livro é muito fofo e o leitor tem como mudar o rumo da história inteira, isso foi o que mais me deixou empolgada com a leitura.

Frankie é uma adolescentes, com dramas adolescentes. Seus pais são separados, tem uma melhor amiga que está sempre ao seu lado, já teve seu coração partido e está se apaixonando novamente. As férias estão chegando e tudo o que Frankie quer é curtir um pouquinho, já que ficara em casa por semanas. Mas antes do seu último dia de aula seu pai, que nunca se envolveu com ninguém, apresenta sua nova namorada e a chama para passar as férias na praia com o casal e com a filha de sua nova madrasta. Frankie fica assustada e resolve dar uma resposta depois, já que está atrasada para a escola e isso tudo é muito novo para ela.
Quando chega mais tarde a casa de sua mãe depois de um dia terrível e cheio de decepções, Frankie é convidada a ir para Londres, pois sua mãe irá buscar um prêmio de desing e pensou em levar a sua filha para passarem um tempo juntas. Mas nem tudo são flores, elas ficarão hospedadas na casa de Tina, mãe de Jake que foi quem partiu o coração de Frankie.


E é nesse ponto que todo a magia desse livro acontece, o que você escolheria? Ir para uma praia paradisíaca, mas teria que aguentar a filha de sua madrasta ou iria para Londres, mas teria que lidar com um amor do passado?

Todo o final de capitulo vem com 2 perguntas, onde o leitor escolhe o final feliz para a Frankie. Isso é muito legal, pois acho que todos nós já passamos por aquele momento no livro que o personagem toma uma decisão TOTALMENTE errada e você não tem como mudar isso, mas no livro O Verão da Minha Vida você pode fazer isso, deixar a história mais emocionante, ou mais calminha, afinal nós decidimos que ruma a história irá levar.

Vemos Frankie tentado lidar com todas essas escolhas que são postas a ela. Como a protagonista é tão jovem, vemos a ingenuidade e a imaturidade em algumas situações, mas isso torna a história mais real, com dúvidas reais. Algumas situações são clichês, mas mesmo assim amei o livro e o rumo que eu dei para a história.

Eu li o livro em um dia, a escrita da autora é extremamente leve, a leitura fluiu com muita facilidade que mal percebi o livro terminando. O leitor pode escolher entre 8 finais diferentes, isso deixa tudo muito mais divertido. Eu li todos os possíveis caminhos e finais que a protagonista poderia seguir e escolhi o final que mais gostei para que ela fosse feliz. Qual final você escolheria?




Por: Monique Braga
 renata massa